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Sinasefe Ifes se solidariza com professor vítima de intolerância religiosa dentro de sala de aula

Sinasefe Ifes se solidariza com professor vítima de intolerância religiosa dentro de sala de aula

Data: 19 de março de 2025

O Sinasefe Ifes se solidariza com o professor Iuri Campos de Souza, do campus Vitória do Ifes, que sofreu preconceito religioso dentro de sala de aula na noite desta terça-feira, 18 de março, enquanto ministrava sua disciplina de Geografia. Ele foi questionado sobre qual era a sua religião e, ao responder que era candomblecista, sofreu ataques de intolerância vindos do intérprete de libras que atuava naquele momento. Os insultos consistiram em relacionar o candomblé a práticas demoníacas, sustentando se tratar de uma religião do capeta, entre outras ofensas.

A direção do campus já foi informada sobre o caso e o intérprete, que é terceirizado, foi afastado de suas funções. O Sinasefe Ifes lamenta que não haja uma política de prevenção a esse tipo de preconceito dentro do Instituto, permitindo que ataques dessa natureza aconteçam e provoquem sofrimento às pessoas, ferindo suas identidades e a liberdade religiosa.

É importante ressaltar que o Brasil enfrenta desafios no combate ao racismo religioso. Essa forma de discriminação se manifesta, principalmente, contra as religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda. Historicamente, elas sofrem perseguição e estigmatização expressas de diversas maneiras, desde agressões verbais e associação dessas práticas religiosas a elementos negativos, como aconteceu no Ifes, até as agressões físicas, incluindo a depredação de terreiros. Há raízes históricas que levam a isso, relacionadas à colonização e à escravização das pessoas negras, quando as práticas religiosas africanas foram marginalizadas e criminalizadas.

A Constituição Federal de 1988 garante liberdade religiosa, mas a discriminação persiste, com relatos frequentes sobre essa prática, muitas vezes fomentada também pela omissão das autoridades e/os das instituições que deixam de tomar as medidas necessárias para interromper esta violência. O que se vê, infelizmente, é a perpetuação do racismo religioso por meio do preconceito e do ódio direcionados aos povos de terreiros, comunidades tradicionais de matriz africana e suas/seus adeptas/os, assim como pelos territórios sagrados, tradições, símbolos, religiosidade e culturas afro-brasileiras.

A educação desempenha um papel essencial para interromper esse processo, sendo capaz de promover o respeito e a valorização das religiões de matriz africana. O Ifes precisa estar compromissado com a promoção do reconhecimento da importância histórica e cultural dessas tradições, garantindo a pluralidade dentro da instituição e desconstruindo preconceitos por meio de uma política criada para isso. Além disso, é preciso que o campus Vitória promova ações de cunho educativo e fortaleça o Núcleo de Estudos Afro-brasileiro e Indígena (Neabi) como mediador dessa política.

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